Depois de muito tempo sem novidades ou entrevistas, saiu nessa semana um vídeo no qual o colunista Bryan Elliot, responsável pelo canal Behind The Brand, no qual ele entrevista celebridades de diversas áreas, a fim de conhecê-los melhor, e descobrir seus segredos.

E a entrevistada dessa semana foi Hayley Williams, que revela coisas sobre início da carreira, a possíbilidade de deixar o Paramore e começar uma família, e outros segredos revelados, vem conferir!

Abaixo 4 vídeos da entrevista longa que durou mais de 30 minutos, e mais adiante a entrevista reveladora:

Confira a tradução e transcrição do vídeo, feita pela equipe do Paramore Brasil.

Hayley: Oi, eu sou a Hayley do Paramore e você está assistindo o Behind the Brand!

Bryan: Oi pessoal, eu sou o Bryan! Bem vindos a mais uma edição do Behind the Brand, estamos aqui com a incrível Hayley Williams; Hayley, obrigada por vir!

H: Obrigada por me receber!

B: Geralmente eu pergunto às pessoas: como você conseguiu esse emprego…?

H: Ah, cara, começou há muito tempo. Eu tinha 12 ou 13 anos quando comecei minha banda, nós éramos apenas crianças, ainda na escola. Eu venho de uma cidade pequena em Mississippi e eu era a única pesoa na minha escola que estava realmente interessada em música, então, quando… você sabe… eu atingi certa idade pra poder fazer alguma coisa, eu já sabia que queria cantar e tocar músicas com meu amigos em uma banda, eu queria fazer parte de algo, e foi quando eu me mudei para Nashville que eu conheci outras pessoas da minha idade que queriam fazer o mesmo que eu, então eu me senti menos sozinha, e nós não perdemos tempo, nós ensaiávamos depois das aulas…

B: Quantos anos vocês tinham na época?

H: Eu tinha, tipo, 13… sim, eu estava na 7° série e Zac, nosso baterista, tinha 11 anos. Mas era sério pra gente, era uma carreira, sabe? Eu acho que nosso primeiro concerto foi no show de talentos da escola.

B: Quando você começou, você imaginava que isso se tornaria uma carreira?

H: Sim, eu acho que sim… eu não sabia se era possível, eu só achava que deveria me divertir fazendo isso. Eu sentia que… eu tinha visto filmes como The Temptations e Spice World e eu pensei “eles estão se divertindo com amigos, e tipo, é a coisa deles, é o emprego deles”, eu queria isso, eu queria me sentir como se fosse meio que eu contra o mundo… uma das coisas de começar uma banda é isso, você tem uma mentalidade muito inocente, sabe? Nós começamos assim, e quando percebemos, já estávamos em uma van na estrada.

B: Você já escrevia canções ou era só uma aspirante a cantoraque vivia no seu canto e cantava no chuveiro? Como começou?

H: Bem, eu cantava na Igreja e era uma criança tímida, meus pais se separaram muito cedo e eu fui filha única por muito tempo, até que meu pai, no segundo casamento, teve minhas irmãs, mas eu amava música e tinha a crença de que poderia fazer isso, mas que precisava me superar, tipo, eu não sentia que precisava fazer isso por alguém, eu só sentia que talvez pudesse acontecer. Eu cantei na Igreja algumas vezes, e tinha também um amigo que cantava comigo em alguns shows aleatórios, se eu tivesse coragem… mas não foi até que eu comecei a escrever que eu senti que tinha minha própria mente. Imitar no carro um artista que você gosta é uma coisa, mas ter sua própria voz é outra.

B: Sim, o que você acha que há na música, por ela ser algo que nos cura ou, mesmo, nos conforma? Digo, parece que você realmente viveu situações complicadas com o divórcio dos seus pais… e, por acaso a música te ajudou com isso?

H: Sim, digo, ser uma criança e ver seus pais se divorciando não é raro, mas ainda assim é algo pesado, sabe? Acho que, para mim… eu sempre amei músicas tristes, e eu nunca soube o motivo, mas eu acho que eu realmente peguei um monte da mágoa que havia na minha família e eu não sabia como me expressar por mim mesma, digo, eu tinha tipo uns 6 anos, sabe? Mas todas essas outras músicas sabiam como expressar isso. E foram essas que me conformaram. Sabe, quando eu de fato comecei a escrever, haviam letras que eram realmente tristes, e teve muita coisa relacionada a injustiça, e angústia, havia um monte de angústia, no Paramore antigo. Mas é algo que cura, sabe? E esse espaço que você tem e acho que, se você é um compositor, você sabe, é aquele momento que você tem pra você mesmo, para realmente pensar a respeito de como você se sente sobre alguma determinada coisa. É algo ininterrupto, sabe? É o seu próprio momento, com aqueles sentimentos, um momento para poder fazer as pazes com esses sentimentos.

B: Sim, é algo que te dá certa autoridade, certo?

H: Sim!

B: É como se você estivesse colocando seus sentimentos para fora no formato de letras ou uma melodia, uma harmonia…

H: É, eu acho que a coisa mais legal, pra mim, a respeito de compor uma música, é encaixar meus sentimos em uma melodia, ou em ritmo, pois sou uma cantora muito rítimica. Acho que a maioria das coisas que me inspira como compositora são ritmos sincronizados, e eu tenho sorte, pois estou em uma banda com duas pessoas que tocam bateria e que são incríveis, e eu tocava bateria quando criança também, então isso é meio que algo que, quando componho, eu escuto coisas pensando em como posso encaixar minhas palavras. Digo, algumas das canções que escrevemos há mais tempo, em meio que acabei fazendo um “rap”. “Misery Business”, por exemplo, foi um dos primeiros singles que escolhemos e há tantas palavras nela, mas tudo parecia maravilhoso, poder dizer essas palavras juntamente com esse ritmo, que deu ainda mais poder a cada uma das palavras. Não sei, acho que isso é muito bom.

B: Então, o que vem primeiro com você, é a letra ou o ritmo, ou a melodia, ou o quê?

H: Com o Paramore, nós temos a tendência de compor a música primeiro, e aí eu meio que vou e ouço aquilo, e por vezes aprendo ela no violão, ou no piano, e aí eu meio que fico com isso para mim, sozinha. Porque eu realmente tenha a tendência de escrever letras em segredo, porque como eu disse, esse é meio que o meu espaço para sentir as coisas…

B: Você mantém essas coisas em alguma espécie de diário ou agenda?

H: Sim, sabe, é melhor escrever mesmo, fisicamente, as palavras.

B: Você é como o Eminem, né? Vocês têm tipo um livrinho no qual vocês vão trabalhando…

H: Ah, as pessoas realmente me comparam com o Eminem, volta e meia. Mentira, eles não fazem isso (risos). Mas, eu gosto de escrever pois acho que assim é mais uma libertação mais tangível, mas eu também digito tudo.

B: Mas, as vezes, por exemplo, você está viajando, ou tomando um café, e aí surge algo bom?

H: Sim, então você precisa escrever isso, anotar.

B: Sim, eu sou meio antigo, gosto de ter minha lista de afazeres escrita e tal, num lugar onde eu possa riscar as coisas.

H: Sim, você não acha que quando você escreve o que tem pra fazer, você faz isso mais facilmente? Tipo, melhor do que se você digitasse isso? Eu sou assim!

B: Sim, eu tenho habiliade cinestésica, então quando eu eu faço, eu aprendo, então o ato de escrever me ajuda a lembrar de coisas mais profundamente.

H: Eu também, funciono da mesma maneira. Definitivamente, eu gosto de… também, se estou escrevendo letras, e não gosto de algo, gosto de riscar, ver o negócio mais, digamos, rabiscado, do que simplesmente deletar isso, pois eu realmente sinto que apaguei aquilo, se estou rabiscando em cima. Mas enfim, escrever, fisicamente, é algo que me parece muito melhor.

B: Então, como estávamos falando antes das câmeras estarem ligadas, Karen Carpenter. Quem são outras inspirações pra você?

H: Ah, cara, sinto que eu tive sorte… sabe, meus pais eram muito novos quando me tiveram, então eu sinto que pude escutar muita música legal quando criança, então acho que consigo referenciar coisas que, muitas vezes, pessoas que são um pouco mais velhas que eu se referenciariam, e me sinto sortuda por isso. Então eu escuto muito Chaka Khan digo, no rock clássico com o meu pai, é claro, mas, sabe, eu também me sinto realmente orgulhosa pelo fato de que meu avó era apaixonado por música soul e funk. É por isso que gosto de Chaka Khan, The Temptations, e um monte de Motowns, até mesmo Elvis.

B: Certo, legal! E bom, você tem essa enorme projeção, essa voz matadora, que me lembra das vozes poderosas de, seja Chaka Khan, ou sabe, essas outras vozes incrivelmente dinâmicas e poderosas. Este é meio que o seu alter-ego? Você disse que isso é meio introvertida… a parte extrovertida é a que vai para o palco?

H: Sim, eu faço… nós passamos dois anos em “off”, compondo e tal, e eu sinto que pude conhecer meu lado introvertido ainda mais e melhor, nos últimos anos que tive. Sabe, essa oportunidade nunca foi me dada realmente, pois na estrada estamos sempre cercados por muitas pessoas, e eu realmente acho que me saio bem com isso, não é como se eu me sentisse melhor em uma sala, sozinha, mas acho que amo ouvir as histórias das pessoas e gosto de me engajar e me conectar, e essa é a parte bonita de estar numa banda que viaja, e que conhece seus fãs, eles se tornam meio que a sua família, mas eu acho que sim, o palco me dá a gente de deixá-la sair, sabe, deixar aquela parte de mim sair… eu realmente acho que preciso disso, dessa expressão, eu preciso completar… as coisas que escrevo no meu diário, e as coisas que estou escrevendo para a música, é sim uma maneira de expressar esse sentimento, mas pra realmente poder realizar isso, creio que seja através da performance, um lugar onde você pode “expulsar esses demônios”.

B: Sabe, muitas pessoas que assistem a isso aqui, são criativas, artistas ou futuros artistas, e eles têm algum tipo de agitação, algum tipo de sonho. Vamos, talvez, deixar as coisas mais pessoais e falar sobre algumas coisas que você fez errado tentando acertar, e talvez falar para essa audiência… “aguenta firme”, “isso leva tempo”, qualquer que seja o conselho que você tenha pra dar… o que você diria para esse pessoal jovem que está apenas começando?

H: Nossa, cara… digo, nós começamos muito cedo, e eu acho que uma coisa… eu não faria nada diferente, pois sinto que estou aqui, sentada nesse banquinho porque fiz o que fiz, e a banda também, mas eu realmente espero, e de alguma maneira eu tenho sido mais corajosa, com relação à antes, porque sabe, não haviam muitas garotas na cena antes, digo, havia vários modelos para os quais eu poderia olhar, tinha a Gwen Stefani, Brody do The Distillers, Shirley Manson, todas essas garotas incríveis, também Debbie Harry e Cyndi Lauper, mas não havia ninguém de idade próxima à minha por perto, que fosse mulher. Era só uma turnê, com muitos rapazes com o dobro da minha idade, e eu realmente não acho que mostrei isso no palco, mas eu realmente duvidava muito de mim, de verdade. E eu meio que senti aquela solidão se traduzindo em algo que não deveria.

B: Você duvidava de você mesma sobre seus talentos? Como se você achasse que não conseguia fazer algo?

H: Eu só duvidava se as pessoas estavam me levando a sério ou não.

B: Tipo um síndrome de impostora?

H: Sim! Nós acabamos de conversar sobre isso. Sim! Eu acho que tenho síndrome de impostora… eu tenho que aceitar. Porque eu acho que eu estou pronta para superar isso. Quer dizer, eu tenho 28 anos, estou numa banda por 13 anos… Só estou percebendo agora que isso é realmente assim. É um sentimento de que talvez eu não tenha feito o bastante para merecer o que eu tenho ou parece que alguém vai chegar e me fazer perceber que não é real, eu não sei.

H: Eu gostaria de saber de onde a síndrome de impostora veio, pois…

B: Um monte de gente que eu conheço sofre com isso, digo, eu também, as vezes, eu tenho que me beliscar, sabe. Tipo, uau, isso é incrível, eu realmente estou aqui com você? E creio que muita gente que está olhando também consegue se conectar a isso, mas tipo… isso é algo que nós mesmos fazemos, tipo uma auto-sabotagem, ou seria um tipo de influência de fora?

H: Sabe o que é engraçado? Eu realmente acho que mesmo que tenha sido bastante solitário ser a única menina em uma determinada cena, que já era suficientemente dura, sabe? Você já está em uma van, viajando por aí, sem dormir direito, fazendo shows que não estão na metade da capacidade de público, ou mesmo talvez nem chegam à metade… eu realmente acho que minha idade realmente me ajudou, e conforme eu fui ficando mais velha… eu acho que a gente vai ficando mais velho e começamos a pensar muito sobre as coisas, sabe? Nós passamos por mais experiências, que estão meio empilhadas, e há mais sobre o que pensar a respeito, e talvez isso signifique que há mais coisas para se ter dúvidas a respeito. Então eu… eu não sei, há dias em que penso no passado e fico tipo “Deus, estou tão feliz porque há tantas outras mulheres para eu me espelhar, tipo minha amiga Beth, da banda Best Coast, é… eu mando mensagens à ela todo o tempo, apenas para pegar a opinião dela sobre algo, ou mesmo para sentir que eu tenho… eu não sei… apenas saber que há uma mulher que entende aquilo. Mas… eu gostaria de ter tido isso quando nova, mas eu também olho pra trás e penso “cara, eu era tão jovem e eu era verde, crua” sabe, então eu apenas fazia o que eu realmente achava que deveria. Eu acho que é preciso lembrar de fazer aquilo que você sente que deve fazer, e seguir isso, mesmo quando você envelhece e há muito mais para se prestar atenção.

B: O que você diria para aqueles que, sabe, estão na luta, e não têm grana, e não fazem ideia de por quanto tempo eles deveriam continuar buscando, fazendo shows, ou simplesmente destruindo as dificuldades, sabem, àqueles que estão cantando no YouTube, ou àqueles que estão cantando em uma cafeteria local, ou um clube, tipo… quanto tempo você dá a essa “grande ideia” a sua paixão até que… pois um monte de gente diz: “Quando é que você vai arrumar um trabalho de verdade?” Especialmente aos que duvidam, sabe, talvez você só seja um diamante não-lapidado, talvez você ainda não tenha se transformado no seu “melhor eu” ainda, mas como você passa por isso?

H: É interessante pensar a respeito do que me faz querer continuar, e também do que pode me fazer querer desistir, pois sabe, minha banda, nós passamos por muita coisa, muita loucura. Digo, passamos por tempos difíceis. Também por coisas incrível, nós tivemos muitos sucessos e ótimas realizações, mas isso também… isso não deveria ser o combustível para manter as coisas acontecendo. Eu acho que, pra ser bem sincera, há 2 anos atrás, eu estava preparada para desistir. Eu simplesmente pensei… “Eu passei por muitas coisas, pessoalmente falando, e a banda também passou por muito, e eu tinha dúvidas sobre poder escrever um álbum que eu amasse tanto quanto o nosso disco auto-intitulado, e eu apenas pensei… eu tenho enfatizado isso por 13 anos, eu tenho ralado duro por 13 anos, muito mesmo antes de ter um carro, antes mesmo de ter qualquer coisa que fosse minha, sabe? A única coisa que era minha, era essa música, o que eu tinha com meus amigos, os shows que fazíamos. Eu realmente pensei que talvez fosse a hora de “pendurar as chuteiras” e encontrar outras coisas nas quais eu poderia ser boa, como, por exemplo, começar uma família, ou criar tintas para cabelo, o que fosse. Mas eu acho que, meu pai sempre disse isso, “Se você não está feliz, deixe isso de lado”. Mas eu estive infeliz, e eu não deixei isso pra lá, e estou muito feliz por não ter feito isso. Digo, acredito que eu diria para um filho meu “Você deveria ser feliz”, mas eu sinto, agora que olho pra trás, mesmo para os últimos anos, penso nas músicas que escrevemos para que está por vir e eu apenas penso que eu me coloco num lugar onde… eu poderia, muito bem, ter desistido, se eu quisesse, pois é uma escolha, você precisa saber que você tem a escolha. Mas acho que é bom ver do que você é feito, e eu realmente tenho descoberto isso mais recentemente, eu acho que muito mais agora do que o que eu descobri antes, em todo o resto de nossa carreira até então, sabe?

B: Esse é um conselho realmente muito bom, eu quero sublinhar, pois é sutil, e talvez se você está olhando, você pode ter perdido isso. Se eu pudesse colocar uma pequena frase aqui do que você acabou de dizer, eu colocaria, talvez, “Eu posso fazer coisas difíceis”. E acho que você está certa, é uma lição importante isso que você está falando. Quando o caminho fica difícil, talvez 99% de nós apenas sintamos que o melhor é sair, desistir, e é muito fácil desistir, especialmente quando é uma escolha apenas sua, mas talvez haja algo melhor se você conseguir ir apenas um pouquinho além, sabe? Se esforçando, indo atrás disso. E, de verdade, eu acho que o que você também está dizendo é que você deve medir o que você tem a perder, qual é o risco e qual é a recompensa. Como é que eles dizem mesmo? “Falhar não é uma opção”, mas, na verdade, a falha deve ser uma opção, sim.

H: É!

B: Certo? Pois para ter sucesso você precisa falhar também, para saber como é que o sucesso soa ou se parece, certo?

H: Sim, isso é uma grande verdade!

B: O truque é não falhar tanto ao ponto de que você não possa mais voltar e fazer de novo o que fazia antes.

H: Sim! Eu acho que saber que eu tinha a escolha foi provavelmente um dos momentos mais empoderadores para mim. Quando eu percebi isso, sabe? E, mesmo ao falar com o Taylor, meu colega de banda, ele falando, sabe… eu acho que é importante ter bons amigos e ter esse tipo de suporte ao seu lado, mas apenas o fato dele ter dito “Você tem uma escolha, e eu não vou ficar bravo com você, de nenhuma maneira, vou continuar sendo seu amigo, podemos escrever músicas pra outras coisas, ou mesmo nunca mais escrever músicas”, mas quando eu percebi que era minha escolha deixar isso pra trás e tentar algo novo ou simplesmente continuar, e talvez ainda me magoar um pouco tentando descobrir se eu realmente queria ou não fazer isso, esse foi o meu momento, sabe? Esse foi um bom momento para mim.

B: Diga-me algo que seus fãs talvez não saibam sobre você. No que você é boa?

H: Ah, algo em que eu sou boa…

B: Além de cantar, compor, criar músicas…

H: Digo, eu sempre disse que o Paramore é a única coisa na qual eu sou realmente boa, mas… o que eu descobri começando um novo negócio, e é engraçado pensar no Paramore como outro negócio, pois é algo tão “de uma segunda natureza”, é essa coisa de hobby, paixão, coisa que rola depois da escola e que começou há 13 anos atrás, então agora eu olho para mim quando estou trablhando para a goodDYEyoung e eu penso “Nossa, eu sou boa!” Eu duvido muito de mim mesma, eu ainda duvido de mim…

B: Então a goodDYEyoung é a sua nova startup, isso? Apesar de não ser mais tão nova… começou há um ano atrás, isso?

H: Isso, já tem mais ou menos um ano de idade.

B: Então, para as pessoas que não conhecem… o que é a empresa? Explica pra gente.

H: É uma empresa de tintas para cabelo, uma companhia sobre cor, muito expressiva, é algo com o qual sou muito apaixonada, isso meio que se tornou uma parte do que as pessoas viam, da minha identidade, sabe?

B: Sim, da sua “persona”.

H: Isso, realmente. Mas para mim, era muito mais pessoal, pois era algo bastante emocional, e então eu pensei “Eu quero fazer isso virar algo!” Eu quero, com sorte, empoderar outras pessoas a usar essas ferramentas, que eu espero conseguir criar, sabe, para que se expressem, e talvez consigamos tirar algo legal disso.

B: Sim, entendo, mas é algo realmente diferente dos outros cosméticos que há por aí, ou mesmo de produtos para cabelo. O que há de diferente no seu produto?

H: Para mim, o mais importante a esse respeito é a comunidade que se cria em torno disso. Sabe, eles são ótimos produtos, de boa qualidade, mas sinto que a missão em volta disso é ainda mais importante. Sinto que isso é a missão social, dar a pessoas realmente jovens um espaço onde elas podem ser estranhas e tentar coisas novas. É uma maneira saudável onde eles podem aprender a se expressar, talvez de um jeito que eles nunca tenham tentado antes. Isso certamente me deu uma saída, fora da composição. Era algo que eu precisava e estou feliz por ver essa comunidade crescer, digo, como você disse, é algo de apenas um ano, mas amo como eu posso testemunhar isso diariamente, ver a comunidade online.

B: O quão você coloca a mão nessas coisas, como empreendedora, em este seu novo lado? O quão involvida você está, e o que você aprendeu?

H: Estou mais envolvida no negócio do que o que eu provavelmente gostaria de estar. Eu aprendi muito, tantas coisas que há 2 anos eu nem mesmo diria que me importava a respeito, simplesmente porque soava chato, mas se tornou algo tipo…

B: Tipo o quê?

H: Ah, Deus, digo… o processo de criar um time, de verificar laboratórios, são tantos números e ou odeio números, eu sou uma musicista. Talvez muitos músicos sejam bons com números, mas eu gosto de palavras, e de cantar. Meu cérebro não funciona muito, matematicamente falando. Essa foi uma grande curva de aprendizado para mim, e creio que eu ainda esteja descobrindo como encaixar isso tudo em meu pequeno cérebro, mas eu descobri que me sinto confortável estando à frente de uma mesa e falando sobre estratégia, e eu amo Marketing, e, em especial, Marketing Criativo, sabe? E, na verdade, estamos tirando isso do papel, e é engraçado pensar que não parece muito diferente do que fizemos para iniciar com o Paramore quando éramos jovens. Era algo tipo, “O que podemos colocar, e onde, e como podemos ser autênticos em meio a tudo isso?”, sabe?

B: Eu ia mesmo dizer. Claro, me corrija se estou errado, mas parece que talvez você esteja fazendo essas coisas porque são uma extensão de você.

H: Sim, e acho que essa é a chave. Gostaria que fosse a chave para qualquer um que está começando um projeto, seja um grande negócio ou simplesmente algo relacionado a paixão que a pessoa tem, eu acho que deveria ser um projeto sobre uma paixão, não importando no que você estivesse envolvido. Quero dizer, sempre haverá coisas que você pode não gostar tanto quanto os outros, mas sim, eu amo isso. Estou intimidada e eu amo o desafio. Sabe, as reuniões com os investidores foram realmente assustadoras, e eu achei que não saberia o que dizer, e aí estávamos na primeira mesa de reuniões e eu tipo “Eu não vou saber o que dizer!”, e isso é divertido, sabe? Eu amo o desafio e eu amo o fato de que eu sento tenho aquele momento em que percebo “Sim, isso é o que eu amo, isso não é tão diferente assim!”

B: Sim! E não é assim com praticamente tudo? Estamos sempre meio assustados com o que há por trás das coisas porque não conseguimos ver, nós nunca fizemos isso, então é tipo… eu sempre pergunto às pessoas “Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?” E muita gente diz, sabe, “Deus, nossa, não foi recentemente!”

H: Sim!

B: E é porque isso pode ser assustador, sabe? Nós imaginamos todas as coisas que poderiam dar errado ou que poderiam acontecer, e isso é tudo uma falsa previsão.

H: Sim, e quanto mais velho você fica, é tipo… quando eu era uma criança, eu andava de BMX (bicicleta), e eu amava. Eu andava com todos os garotos, e eu não tinha medo de cair, era apenas divertido. E agora, se eu subir em uma bicicleta, eu nem mesmo vou conseguir guiá-la sem as duas mãos. Há algo sobre envelhecer que… você deve confiar em si mesmo, que você pode, e não duvidar tanto. Essa coisa de duvidar é terrível.

B: Sim, um amigo meu me disse que esse tipo de pensamento é como já experienciar a falha, mas ao contrário.

H: Nossa, sim!

B: Realmente não há porque fazer isso, pois isso nem mesmo aconteceu ainda.

H: Uau, esse é um ponto legal pra pensar.

B: Então, há coisas com as quais você deveria se preocupar, como preparação para possíveis terremotos, ou qualquer outra coisa pela qual você devesse se preocupar, mas se algo ainda não aconteceu, não deveríamos organizar isso tudo em nossas mentes, imaginar isso, até que de fato aconteça, e aí sim, podemos ficar assustados a respeito e lidar com isso, certo?

H: Sim, mas isso é algo difícil. Tipo, eu nunca tinha sofrido com ansiedade, de verdade, até estes últimos 2 anos, dos quais estava te falando. Me veio algo tipo “E se eu nunca fizer algo que eu amo tanto quanto o álbum auto-intitulado?” ou mesmo “E se nosso 4º álbum foi nosso último?” Houve até mesmo um momento onde pensei que deveria ser o nosso último álbum, pois eu não quero fazer um 5º álbum se ele for péssimo, não quero me desapontar, mais do que eu não quero desapontar sejam lá quantas pessoas que possam comprar ele, sabe? Eu nunca fiz um “5º álbum” antes, até o momento em que eu e meus amigos fizemos esse, e gravamos ele. E é engraçado o que fazemos nos mesmos acreditarmos.

B: E creio que esse seja o momento no qual nós ficamos presos.

H: É paralisante!

B: Sim, pode ser como uma análise de paralisia, do tipo “Eu deveria, ou não deveria?” Ou pode ser, ainda, aquela situação de “Luto, ou corro?” e aí ficamos tipo “Tô fora!” I vi um TED muito legal, sabe… você conhece Elizabeth Gilbert, que escreveu “Eat, Pray, Love”?

H: Sim, sim!

B: Você viu esse TED onde ela fala sobre o fato do nosso melhor trabalho estar por trás de nós.

H: Ah, eu ainda não vi esse TED, mas preciso!

B: Então, ela escreveu esse ótimo livro, que virou um filme, e aí, de repente, ela ficou tipo “E agora?”

H: Droga, sim, isso é assustador!

B: Muita pressão, né?

H: Eu acho que a pressão que você coloca em si mesmo é a pior de todas. Pois toda a vez que lançamos álbuns novos, nos perguntam nas entrevistas: “Como foi a pressão da sua gravadora, para seguir o sucesso do álbum tal?”, e eu nunca entendi aquilo. E talvez nós tenhamos sorte por termos um bom relacionamento com nossa gravadora neste aspecto, mas a pressão vem de nós, tipo, de mim. Apenas por não querer me desapontar, ou me assutar muito. É interessante, eu sinto tensão quando ouço isso. Digo, é insano.

B: Sim! É uma música muito comovente e eu acho que, sabe, fazendo uma pesquisa e retrocedendo na linha do tempo, nós a audiência, os fãs, pudemos ver que foi uma canção sobre relacionamentos, mesmo sem saber o que estava acontecendo com a banda. Você já conversou com outros fãs sobre como eles podem interpretar essa música de formas diferentes? Porque com certeza essa música me atingiu por um motivo bem diferente.

H: Bem, eu amaria saber qual!

B: Você quer ouvir uma história bem rápida?

H: Sim! Eu amaria ouví-la.

B: Quando eu ouvi a música, ela me lembrou do tempo que eu tive uma expectativa muito alta… Bem, eu sou adotado e toda minha vida eu procurei por meus pais biológicos. Eu na verdade, encontrei minha mãe…

H: Não acredito! Quantos anos você tinha?

B: Bem, isso foi a mais ou menos 10 anos atrás.

H: Uau! Meu Deus!

B: E quando eu a encontrei, ela não queria ser encontrada. E isso foi inesperado. Foi muito doloroso e eu meio que queria desistir. E tem um verso na música que eu acho que você diz algo sobre acordar de manhã e não saber se tudo isso é real. Qual verso é esse mesmo?

H: “Eu sei que você vai estar partindo quando você acordar de manhã. Me deixe uma prova de que não é um sonho.”

B: Sim! E minhas expectativas estavam muito altas e depois disso, eu fui tentar encontrar meu pai e parte de mim queria desistir dessa jornada, porque eu me machuquei muito. Eu não queria estar vulnerável de novo. Eu não queria deixar meus sentimentos expostos porque isso só me machucou. E eventualmente eu encontrei meu pai. E foi um desfecho muito melhor.

H: Cara, eu fiquei muito aliviada agora que você disse isso, meu Deus!

B: Sim, eu tive esse reencontro maravilhoso, eu descobri que tenho duas irmãs…

H: O quê?!

B: Foi incrível! Mas, então, quando eu pensava nessa música… eu não sabia que era possível, e eu, especialmente, não queria estar vulnerável de novo…

H: Sim, certo… por quê você iria… sabe… como você… depois… de estar nessa situação…

B: É difícil, é difícil… Eu li outro livro incrível, de uma das minhas autoras favoritas, Brené Brown… conhece ela?

H: Ah, eu amo ela, sim!

B: Uma coisa q ela diz… acho que ela cita J.K. Rowling, que diz, sabe, em Harry Potter… “não é até que entramos na escuridão que conseguimos ver a luz.”

H: Sim, muito bom.

B: E a outra coisa que ela diz, que, sério, me pegou… foi que a extensão da nossa vulnerabilidade é do tamanho da nossa coragem.

H: Sim, caramba, ela é muito boa o tempo todo!

B: Sim, eu tinha… eu tinha… sua música, junto com outras frases inspiracionais de várias pessoas, me ajudaram a superar isso… Somente quando você está disposto a estar vulnerável e entende que você pode se machucar… é aí que as coisas acontecem.

H: É isso, sim… É assim que eu penso e é muito… Eu estou honrada, cara, por ouvir isso… isso é loucura.

B: Eu… não, digo…

H: Eu acho que nunca ouvi uma história que se relacionasse a essa musica dessa forma… Obrigada por me contar, porque é muito legal.

B: Obrigado.

H: Sim, eu entendo isso… e eu acho que… eu não… sabe.. é engraçado como nós entendemos o amor, às vezes, por meio desse filtro de como nós vemos nossos pais e como eles nos vêem, sabe, e sabe a falta disso também… para mim, foi muito difícil superar mesmo algo tão simples como meus pais se divorciando, o que… acho que eu tenho só um amigo cujos pais não se divorciaram… ele está na banda, sabe, e eu acho loucura quando os pais e a familia dele vêm ao show… tipo, como é isso? mas uh…

B: E eu acho que é uma mensagem importante, tipo… talvez tenha levado um tempo para que você saísse disso, sabe, ou para entender… às vezes nossos pais estão com a gente, e a gente pensa que é essa a nossa identidade, como nós devemos agir, certo?

H: Sim.

B: Mas nao é, nós podemos apertar o botão “resetar”, certo? Podemos ser quem nós queremos ser ou quase isso… não ligar para o que ninguém diz.

H: Sim.

B: Você só tem que lidar.

H: Sim, é dificil fazer isso, é muito difícil “chegar lá”, eu ainda estou tentando chegar lá, sabe, e eu acho que o que eu aprendi, e o que a Brené Brown diz, que eu nem vou tentar citar porque vou estragar, é que você tem que ser o dono da sua história, você não pode deixar que sua história te controle… isso é algo com que eu estou constantemente lutando porque, sabe, seja a banda ou a outra parte da minha vida… eu senti muitas coisas que eu, por muito tempo, tomei como traições, e é difícil permanecer doce e tenro quando você tem todas essas coisas, essas flechas que vêm até você… você quer colocar um escudo, como vc disse sobre as paredes, mas eu acho que é glorioso permanecer tenro.

B: Mas isso é parte disso!

H: Sim!

B: A vida… eu acho que finalmente entendo que existem bons tempos e maus tempos que, tipo, existe ou a vida ou se esconder dela.

H: Certo, certo, sim.

B: Acho que quando ficamos confortáveis tipo “pode vir!”, tipo, “o que é o pior que pode acontecer?” é que a vida começa a acontecer, é assim que nós temos um potencial para viver.

H: Sim! Cara, isso é bom, podemos fazer isso uma vez por semana?

B: Sim!

H: Eu preciso de um segundo terapeuta

B: Certo, você poderia dar algumas palavras finais de conselho para pessoas que estão sofrendo e que te admiram, que amam o que você faz, mas que também fazem outras coisas, eles são engenheiros ou estão criando códigos ou são artistas ou, sabe, amam matemática, qualquer coisa… qual é o seu conselho para pessoas que estão fazendo coisas que podem não funcionar?

H: Que podem não funcionar?

B: É a parte importante, não é?

H: Bom, o que não está funcionando?

B: Certo, acho que podemos definir isso também… mas acho que é tudo uma experiência, quando nós começamos coisas novas nós não sabemos o final.

H: Certo, sim.

B: Se fosse previsível, todo mundo estaria fazendo.

H: Sim.

B: Certo?

H: Eu realmente acho que, digo, para mim, e isso não tem nada a ver com música, apenas com a vida, tipo, quando eu senti minha intuição e não a segui, digo, eu paguei por isso, todas as vezes, então eu realmente tento prestar atenção, porque eu acho que nós nos conhecemos, nós sabemos quais são nossas paixões, as coisas que podem nos colocar em perigo… essas coisas são intuitivas, sabe? Nós sabemos do que somos capazes, e acho que às vezes, até quando sabemos que talvez nós não sejamos capazes, nós sabemos que podemos tentar e tudo vai ficar bem, e eu acho que talvez o perigo sobre o qual eu estava falando… para mim, seguir esse sentimento… mesmo quando as coisas não funcionaram da forma como eu imaginei, sempre valeu a pena… sabe, digo, o Paramore está no quinto álbum e eu estou na banda desde que eu tinha, tipo, 13 anos… eu tenho 28 anos agora e eu ainda estou viva, sabe? Passei por muitas dores na vida, criei uma empresa, foi muito assustador, mas ainda estou viva, e acho que é porque eu dou valor à minha intuição, sabe? Então acho que eu só diria… você vai saber. Você vai saber se ainda vale a pena correr atrás ou não, você vai saber disso e, caso contrário, você vai saber quando é a hora de tentar algo novo.

Créditos da tradução: Paramore Brasil

Facebook Comments